O design na produção independente e como o movimento DIY salvou nossas vidas!

E se você pudesse produzir o que quisesse sendo responsável por todas as etapas do início do processo até entregar nas mãos de outra pessoa? Parece uma utopia se pensado do ponto de vista do mundo corporativo, com todas as suas hierarquias e aprovações de versões do projeto, e no final, nunca é o que se idealizou lá no início. Isso cansa!

Gasta-se muita energia criativa em projetos pouco significativos, e são tantos anos levando nãos e se frustrando por não se realizar (ou se realizar muito raramente) nas 8 horas diárias (para quem é CLT, imagina quem é PJ e trabalha mais que isso) que sua mente atrofia. Não vamos entrar no mérito do que a terapia fala de se separar do ambiente do trabalho, e de se lembrar que você não é o que faz. Depois de um tempo não conseguindo fazer o que se quer, e não tendo energia mental para fazer qualquer coisa fora do horário de trabalho, o desespero bate.

Nesse momento de um constante sentimento de impotência, o movimento DIY (faça você mesmo) tem se mostrado importante. Não porque ele te promete grandes promoções, dinheiro ou reconhecimento, é um tipo de recompensa diferente do que se vê mundo corporativo. Ele te traz algo mais importante e significativo do que isso: autonomia e pertencimento.

Tudo começou ainda na época da faculdade através de uma pesquisa sobre como entrar no mercado editorial de livros. Vimos como é difícil, pois é preciso já ter um público cativo e contatos, além de que é um mercado que anda muito mal das pernas, se não for novidade pra você. Reduz ainda mais a chance de criar conteúdo e fazer parte de algo e que gere algum tipo de renda.

Descobrimos então as feiras independentes (locais em que vários artistas se juntam para expor e vender seus projetos) e nessa descoberta caiu a ficha: não é sobre o dinheiro ou a fama, e sim pela vontade de criar, e a partir disso se conectar com outras pessoas e trocar experiências. É como se a dificuldade de fazer parte de uma espécie de produção em massa fizesse com que um grupo seleto de pessoas produzissem por fora pelo sentimento de preenchimento, de se sentir único, mas ao mesmo tempo fazer parte de um grupo. A troca de experiências que rola nas feiras independentes é um grande tesouro. Todo mundo tem muito o que dizer, com sua própria voz e sua realidade tão singular. E esse nosso projeto, chamado Quebrada, quer compartilhar com mais pessoas que se encontram nesse mesmo estado de “falta de forças para ser resiliente no trabalho”. A gente precisa pagar boletos, afinal de contas, mas não é errado querer mais do que isso. Somos designers de profissão, mas queremos mais do que briefings mal escritos e encheção de saco.

Nós achamos que todos fazem design, e fazendo um design mais consciente você pode comunicar melhor suas ideias e usar a plataforma das feiras independentes para colocar pra fora um pouco do que é a sua realidade.

Nosso foco está nas publicações impressas, e para te ajudar criamos diversos tipos de interação com as produções independentes editoriais. Queremos dar oportunidade para os novos produtores independentes e expandir os que já estão inseridos nesse meio, ao passar noções de design. O resultado é uma série de manuzines – manuais em forma de zines – divididos em duas dificuldades: suave (para os iniciantes) e hardcore (que se aprofunda nos temas). Todos estão em uma linguagem própria para ensinar noções de design de forma cômica, informal e descontraída, utilizando imagens publicitárias dos anos 1940 e 1960 e satirizando o mercado mainstream.

Mas além disso, vamos produzir conteúdo na internet, onde as pessoas tem um acesso mais rápido e ágil. Esse é o primeiro texto de muitos sobre esse universo, e aos poucos queremos mostrar exemplos de projetos por muitas vezes bobos, mas que nos ajudaram a viver mais um dia.


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